Livres, com Temer, nem a internet nem o software


Por Fernando Brito, Tijolaço

Quem disse que Michel Temer não entende de computador?
Já pôs em marcha duas iniciativas que são boas para poucos e ruins para o País.
A Anatel reabre hoje a discussão sobre a aceitação dos limites que as teles querem colocar no uso da internet, dando fim às conexões ilimitadas.

E Pedro Dória, no Estadão, em excelente artigo do qual transcrevo trechos abaixo, informa que o Governo Federal quer banir  o uso de software livre, parcialmente implantado nos seus serviços, para entregar tudo à Microsoft.
Que, aliás, faz tudo para que os documentos gerados em aplicativos do Windows não possam ser lidos por outros programas de código aberto.

Pedro Dória, no Estadão

Uma das mudanças que o governo Michel Temer quer promover é a substituição do uso de software livre por programas da Microsoft. O prazo final para que os órgãos fizessem seus pedidos foi ontem.
Nenhum argumento técnico justifica esta mudança. Sem ter fechado ainda a lista de pedidos, o governo não tem como saber quanto a transição para o software comercial vai custar. No mínimo será um custo desnecessário na casa das centenas de milhões de reais.

Seu principal argumento é segurança. Não é um argumento que se sustente perante qualquer dado real. Por trás de sistemas como Facebook e Google está uma base de softwares livres. A internet inteira se sustenta por programas e protocolos de código aberto.

O governo americano mantém alimentado um banco de dados dos sistemas mais vulneráveis a ataques, o NVD. No ranking mais recente, de 2015, a Microsoft aparece como o segundo lugar em número de pontos fracos conhecidos. Seu navegador, o Internet Explorer, é o mais frágil de todos. Isto não quer dizer que os outros sejam seguros. No jogo da segurança, na verdade, todos têm pontos de fraqueza e ninguém pode argumentar de cara limpa que ganha.

Desde o início do governo Lula se fez um discurso de que o governo adotaria software livre. Sua instalação é gratuita e, porque os códigos podem ser mexidos por qualquer um, são maleáveis. Quinze anos depois, o governo poderia ter hoje uma suíte de ferramentas cuidadosamente customizada para suas funções. Mas não tem.

Esses pacotes da Microsoft são como um vício. São programas muito caros, com muitas funções, a maioria desnecessárias para quase todos os usuários, e, no entanto, todo mundo usa sem saber explicar bem o porquê. As mesmas atividades podem ser desempenhadas por muito menos dinheiro sem sacrificar nada.
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