Doria prefere se fantasiar de cadeirante a fazer rampas e ônibus adaptados

Por Pedro Zambarda de Araujo, DCM -
O prefeito de São Paulo João Doria Jr. já se vestiu de gari, pedreiro, ciclista e jardineiro. Apesar da legião de antipetistas que o ovacionam, o autor do projeto “Cidade Linda” contra os pichadores rompeu os últimos limites da decência neste domingo (22).
Numa ação na Vila Maria, zona norte, ele achou que seria uma boa ideia utilizar uma cadeira de rodas para “sentir na pele a dificuldade que enfrenta a população cadeirante”.

Não fez isso sozinho. O vice Bruno Covas o acompanhou. A ação foi para lançar o programa “Calçada Nova”, inspirado em uma iniciativa similar de Mario Covas quando prefeito.

Para além da fixação de Doria com o suposto legado de Covas, a ação parece não levar em conta que o prefeito não teve a mínima empatia com quem de fato não consegue se locomover com as pernas.

Ele pode querer muito “sentir na pele” o que a população sente, mas continua sendo um homem rico que mora nos Jardins, anda de carro importado e nada.

O post foi publicado no Facebook pessoal de João Doria Jr. e não na conta oficial da Prefeitura. Teve mais de 70 mil reações, 7,8 mil comentários e quase 1 milhão de visualizações até o momento em que escrevo.

Quem cuida das contas da rede social de Doria valoriza obviamente os comentários de puxa-sacos, mas há inúmeras críticas.

“Doria é o prefeito da cidade mais rica, mas tudo o que importa pra ele é a imagem. Isso é capacitismo [deficiência das pessoas] usado pra promoção da imagem política. Quer militar pró-deficientes? Constrói rampas, bota mais ônibus adaptado nas ruas. Mas o que esperar do prefeito que quer deixar a cidade mais linda apagando a arte dos nossos muros e pintando tudo de cinza, não é mesmo?”, escreveu Ana, estudante e cadeirante, no Twitter.

Os paulistanos ganhariam mais se Doria trabalhasse. No entanto, ele prefere brincar de gari, pedreiro etc.

Andar de cadeiras de rodas para ser fotografado pelos amigos é um passo adiante em nome de um populismo rasteiro. A grande imprensa divulga acriticamente seus factoides, contribuindo para inflar toda e qualquer ação do marqueteiro.

A ex-ministra Katia Abreu apontou que ainda lhe faltava a roupa de palhaço. Ele nunca a tirou, na verdade. Está embaixo da fantasia de prefeito.
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