“Achei o menino deitado entre os destroços”


Publicado na DW -
A imagem de um menino de 5 anos que ficou ferido durante bombardeios à cidade de Aleppo rodou o mundo na quinta-feira (18/08), evidenciando o drama vivido pelos civis em meio à guerra civil na Síria.

Com o rosto coberto de sangue e pó, o garoto, identificado como Omran D., aparece sentado numa ambulância após ser resgatado, na noite desta quarta-feira, de um prédio bombardeado no bairro de Al-Qatergui, no leste da cidade.

A imagem foi retirada de um vídeo publicado na internet pelos ativistas do Centro de Informação de Aleppo (AMC, na sigla em inglês), que já tem milhares de visualizações.

O vídeo mostra um dos membros da Defesa Civil saindo dos escombros com o menino nos braços. Sentada na ambulância, a criança olha desconcertada à sua volta. O garoto toca numa parte ferida do rosto e observa com surpresa a mão, esfregando-a no assento para limpar o sangue.

Omran foi retirado dos escombros junto com os três irmãos, de um, seis e 11 anos de idade, a mãe e o pai. Nenhum deles sofreu ferimentos graves, mas o prédio em que viviam desmoronou uma hora após o resgate. Outro edifício vizinho também foi em grande parte destruído.

O leste de Aleppo, sob controle da oposição, é alvo de bombardeios diários do regime sírio e da Rússia, que lutam pela reconquista da cidade, disputada entre regime e rebeldes desde 2012.

O tabloide alemão Bild entrevistou o socorrista que salvou o garoto.
“Eram cerca de 8h30 quando conduzi a ambulância a uma casa no bairro de Al-Qatergui. Estava tudo cheio de destroços e poeira após o bombardeio.

Quando desci da ambulância, vi o menino deitado sob os destroços”, disse Ammer Hamami, citado pelo Bild nesta sexta-feira (19/08).

Após sentar o menino numa cadeira da ambulância e resgatar os demais membros da família, Hamami os conduziu a um hospital – algo perigoso em meio a bombardeios do regime sírio e da Rússia.

O ataque ao prédio onde Omran e seus familiares viviam deixou três mortos. Os três irmãos e os pais do garoto sobreviveram, mas não querem voltar para casa. “Os moradores desse bairro têm medo de voltar, porque os aviões de combate russos não param de bombardear a área”, disse Hamami ao Bild.

“É um genocídio o que acontece aqui. Nós e nossas crianças somos bombardeados pela Força Aérea russa, e os governos europeus ficam observando”, criticou. “Não precisamos de ajuda humanitária, precisamos da ajuda do mundo para que os bombardeios sistemáticos de Bashar al-Assad [presidente sírio] e seus aliados contra nós finalmente acabem.”

O fotojornalista Mahmud Raslan, que capturou a imagem, afirmou que o menino já está melhor e junto com a família.

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